Destaque
Quem está por trás dos linhões?

Quem está por trás dos linhões?

Pesquisa do Sítio Ágatha investiga grupos econômicos nos leilões de transmissão de energia

Levantamento sobre os leilões de 2025 e 2026 revela a participação de empresas, fundos de investimento e diferentes estruturas de capital na expansão da transmissão elétrica brasileira e levanta questões sobre transparência, responsabilidade socioambiental e justiça territorial.

A expansão da infraestrutura de transmissão de energia elétrica no Brasil movimenta bilhões de reais e envolve grandes empresas, fundos de investimento e grupos econômicos nacionais e internacionais. Mas quem está por trás desses empreendimentos? Quem controla as empresas vencedoras dos leilões? E como as comunidades que vivem nos territórios atravessados pelas linhas de transmissão participam dessas decisões?

Essas são algumas das questões que orientam o levantamento “Quem está por trás da expansão dos linhões: empresas, fundos e grupos econômicos nos leilões de transmissão de energia de 2025 e 2026”, desenvolvido pela Associação Sítio Ágatha.

A pesquisa analisou 16 lotes dos leilões de transmissão de energia elétrica realizados em 2025 e 2026, reunindo informações sobre empresas vencedoras, investimentos previstos, extensão dos empreendimentos e estruturas societárias identificadas a partir de fontes documentais.

Os resultados apontam para a diversidade de agentes econômicos envolvidos no setor, incluindo grupos estrangeiros, empresas com capital pulverizado, fundos de investimento e consórcios. O levantamento também identifica limites na rastreabilidade de determinadas estruturas societárias, evidenciando a importância de ampliar a transparência sobre o controle dos empreendimentos.

Para além dos investimentos: quem decide sobre os territórios?

A construção de novas linhas de transmissão costuma ser apresentada como uma necessidade para ampliar a capacidade do sistema elétrico brasileiro e viabilizar o escoamento da energia produzida em diferentes regiões do país.

Entretanto, a expansão dessa infraestrutura não se resume a investimentos, torres, cabos e subestações. Os empreendimentos também produzem transformações territoriais, especialmente em áreas rurais, onde a implantação de linhas pode estabelecer servidões administrativas, restringir atividades produtivas e alterar as relações das comunidades com a terra.

Nesse contexto, identificar os agentes econômicos envolvidos é fundamental para compreender não apenas a organização empresarial do setor, mas também as responsabilidades associadas à implantação e à operação dos empreendimentos.

A pesquisa chama atenção para uma questão central: a transparência sobre quem controla os projetos precisa estar acompanhada de informações acessíveis sobre onde serão implantados, quais populações poderão ser afetadas e como seus direitos serão assegurados.

Transição energética justa para quem?

O avanço das fontes renováveis de energia e a ampliação das redes de transmissão integram as transformações do sistema elétrico brasileiro. Contudo, a transição energética não pode ser considerada justa apenas pela origem da eletricidade produzida ou pelo volume de investimentos mobilizados.

É necessário considerar como os benefícios econômicos são distribuídos e quais populações assumem os custos sociais, ambientais e territoriais dessa expansão.

Para a Associação Sítio Ágatha, que desenvolve ações de pesquisa, educação popular e defesa dos direitos territoriais junto a comunidades rurais da Zona da Mata Norte de Pernambuco, essa discussão está diretamente relacionada às experiências de famílias agricultoras que convivem com linhas de transmissão em seus territórios.

A partir dessas experiências, o levantamento busca contribuir para o acompanhamento público dos leilões e fortalecer o debate sobre transparência, participação social e responsabilização dos agentes econômicos.

Informação também é instrumento de defesa dos territórios

Ao reunir e sistematizar informações dispersas em documentos públicos e registros empresariais, a pesquisa procura tornar mais acessível um setor marcado pela complexidade técnica, regulatória e financeira.

O levantamento não pretende encerrar o debate sobre o controle econômico da transmissão de energia. Ao contrário, apresenta evidências, identifica lacunas de informação e propõe novas perguntas para o acompanhamento dos próximos leilões.

Conhecer os grupos econômicos envolvidos na expansão dos linhões é um passo importante para que organizações sociais, pesquisadores, movimentos populares e comunidades potencialmente atingidas possam acompanhar as decisões que transformam seus territórios.

Afinal, uma transição energética verdadeiramente justa exige mais do que ampliar a infraestrutura elétrica: exige transparência, participação popular, respeito aos direitos territoriais e responsabilidade pelos impactos produzidos.

⸻

Acesse a pesquisa completa

O levantamento “Quem está por trás da expansão dos linhões: empresas, fundos e grupos econômicos nos leilões de transmissão de energia de 2025 e 2026” está disponível para leitura e consulta.

Associação Sítio Ágatha — Pesquisa, educação popular e defesa dos direitos territoriais.