{"id":1315,"date":"2025-06-04T18:00:00","date_gmt":"2025-06-04T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sitioagatha.org\/?p=1315"},"modified":"2025-06-04T15:28:07","modified_gmt":"2025-06-04T15:28:07","slug":"entre-ancestralidade-e-justica-a-resistencia-negra-e-feminina-contra-a-transicao-energetica-predatoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sitioagatha.org\/?p=1315","title":{"rendered":"Entre Ancestralidade e Justi\u00e7a: A Resist\u00eancia Negra e Feminina contra a Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica Predat\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Recife, 04 de junho de 2025<\/em> \u2014 Em face da expans\u00e3o vertiginosa de usinas e\u00f3licas e linhas de transmiss\u00e3o em Pernambuco, a Associa\u00e7\u00e3o S\u00edtio \u00c1gatha promoveu, entre fevereiro e abril, tr\u00eas encontros que entrela\u00e7am saberes ancestrais, diagn\u00f3sticos jur\u00eddicos e an\u00e1lises cr\u00edticas da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no Brasil e na Am\u00e9rica Latina. O objetivo foi articular pr\u00e1ticas de consulta aut\u00f4noma, expor os mecanismos de servid\u00e3o administrativa e desconstruir a ret\u00f3rica da \u201cenergia limpa\u201d, lan\u00e7ando as bases para uma resist\u00eancia comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A oficina de 13 de fevereiro, conduzida por Joanna Barney (INDEPAZ), aprofundou-se no <a href=\"https:\/\/indepaz.org.co\/portfolio\/protocolo-autonomico-de-consulta-y-consentimiento-previo-libre-e-informado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">protocolo aut\u00f4nomo constru\u00eddo pelo povo Wayuu<\/a>, em La Guajira, Col\u00f4mbia. Ao apresentar suas bases, Barney destacou quatro pilares: o mapeamento de territ\u00f3rios sagrados, a elabora\u00e7\u00e3o de genealogias matrilineares \u2014 reafirmando o papel central das mulheres na prote\u00e7\u00e3o dos bens comuns \u2014, a defini\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios pr\u00f3prios para interlocu\u00e7\u00e3o com agentes externos e a formula\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias coletivas de resist\u00eancia. Inspirado por esse modelo, o S\u00edtio \u00c1gatha busca adapt\u00e1-lo para garantir que mulheres negras rurais, historicamente marginalizadas, ocupem posi\u00e7\u00e3o central nos processos de licenciamento ambiental e na disputa por autodetermina\u00e7\u00e3o territorial.<\/p>\n\n\n\n<p>No debate de 10 de abril, o advogado e integrante do grupo de pesquisa Dom Quixote, <a href=\"https:\/\/periodicos.apps.uern.br\/index.php\/GEOTemas\/article\/view\/6858\/4783\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marciel Ant\u00f4nio de Sales (UFPB) <\/a>revelou como decretos de meados da d\u00e9cada de 1940 embasam a imposi\u00e7\u00e3o de servid\u00e3o administrativa sem consulta efetiva \u2014 instrumento que recai de forma desproporcional sobre pequenos propriet\u00e1rios negros e mulheres agricultoras. \u201c<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/aneel\/pt-br\/assuntos\/declaracao-de-utilidade-publica-dup\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Utilidade p\u00fablica<\/a> n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de justi\u00e7a social\u201d, criticou Sales, ao mostrar que mais de 20 a\u00e7\u00f5es judiciais em cinco meses fragmentaram comunidades do semi\u00e1rido paraibano e aprofundaram desigualdades raciais e de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>No encontro de 29 de abril, participaram as pesquisadoras <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.flacso.edu.mx\/torres-wong-marcela\/\" target=\"_blank\">Marcela Torres Wong (FLACSO<\/a>) do M\u00e9xico e <a href=\"https:\/\/www.escavador.com\/sobre\/3122407\/gislene-moreira-gomes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gislene Moreira G\u00f3mez (UEB)<\/a>. Segundo Torres Wong,<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.routledge.com\/Natural-Resources-Extraction-and-Indigenous-Rights-in-Latin-America-Exploring-the-Boundaries-of-Environmental-and-State-Corporate-Crime-in-B\/TorresWong\/p\/book\/9780367483630?srsltid=AfmBOorg0Pxas9_zWv5ppU_xklY7bDLrm6lYcFP5pnGzztorTrD9a8PG\" target=\"_blank\"> estudos de cooperativas no Istmo de Tehuantepec, no M\u00e9xico, apontam que apenas 28% da energia produzida beneficia as comunidades<\/a>; o restante sustenta grandes ind\u00fastrias e drena recursos locais. Por sua vez, Moreira G\u00f3mez desconstruiu a narrativa de \u201cenergia limpa\u201d e denunciou o ataque sistem\u00e1tico \u00e0 Caatinga \u2014 bioma de alta biodiversidade que tem sido tratado como deserto e dilacerado para erguer torres e\u00f3licas. No sert\u00e3o baiano, quilombolas e assentados relatam criminaliza\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as femininas negras que exigem transpar\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o dos projetos. Casos de <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/prodesc.org.mx\/el-tribunal-de-apelaciones-de-paris-admite-demanda-civil-contra-el-parque-eolico-de-edf-en-mexico\/\" target=\"_blank\">a\u00e7\u00f5es judiciais contra \u00c9lectricit\u00e9 de France (EDF)<\/a>, a maior produtora e distribuidora de energia da Fran\u00e7a, e mineradoras no Reino Unido ilustram o potencial de alian\u00e7as globais na defesa de territ\u00f3rios e biomas amea\u00e7ados.<\/p>\n\n\n\n<p>A converg\u00eancia dessas tr\u00eas experi\u00eancias \u2014 protocolos aut\u00f4nomos que elevam vozes negras, ind\u00edgenas e femininas, contesta\u00e7\u00e3o da servid\u00e3o administrativa e cr\u00edtica ao modelo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u2014 oferece ao S\u00edtio \u00c1gatha um repert\u00f3rio estrat\u00e9gico. Ao integrar conhecimento ancestral, assessoria jur\u00eddica e solidariedade internacional, a comunidade fortalece sua capacidade de resist\u00eancia e prop\u00f5e um caminho para uma justi\u00e7a socioambiental profunda e duradoura.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um cen\u00e1rio marcado pela intensifica\u00e7\u00e3o do colonialismo energ\u00e9tico sob a fachada da transi\u00e7\u00e3o verde, as experi\u00eancias compartilhadas nos encontros promovidos pela Associa\u00e7\u00e3o S\u00edtio \u00c1gatha evidenciam que resistir \u00e9 tamb\u00e9m reinventar formas de habitar, decidir e proteger os territ\u00f3rios. Ao articular saberes ancestrais, estrat\u00e9gias jur\u00eddicas e alian\u00e7as latino-americanas, mulheres negras agricultoras e comunidades perif\u00e9ricas demonstram que outra transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 poss\u00edvel \u2014 uma que n\u00e3o se funde na expropria\u00e7\u00e3o, mas na justi\u00e7a, no cuidado e na soberania popular. Essa luta, enraizada em pr\u00e1ticas de escuta, mem\u00f3ria e den\u00fancia, afirma que o futuro ser\u00e1 ancestral.<br><\/p>\n\n\n\n<p><em>Texto: Luis Soares<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Revis\u00e3o: Gus Cabrera<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Arte: Diego Amorim<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recife, 04 de junho de 2025 \u2014 Em face da expans\u00e3o vertiginosa de usinas e\u00f3licas e linhas de transmiss\u00e3o em Pernambuco, a Associa\u00e7\u00e3o S\u00edtio \u00c1gatha promoveu, entre fevereiro e abril, tr\u00eas encontros que entrela\u00e7am saberes ancestrais, diagn\u00f3sticos jur\u00eddicos e an\u00e1lises cr\u00edticas da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no Brasil e na Am\u00e9rica Latina. 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O objetivo foi articular pr\u00e1ticas de consulta aut\u00f4noma, expor os mecanismos de servid\u00e3o administrativa e desconstruir a ret\u00f3rica da \u201cenergia limpa\u201d, lan\u00e7ando as bases para uma resist\u00eancia comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A oficina de 13 de fevereiro, conduzida por Joanna Barney (INDEPAZ), aprofundou-se no <a href=\"https:\/\/indepaz.org.co\/portfolio\/protocolo-autonomico-de-consulta-y-consentimiento-previo-libre-e-informado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">protocolo aut\u00f4nomo constru\u00eddo pelo povo Wayuu<\/a>, em La Guajira, Col\u00f4mbia. Ao apresentar suas bases, Barney destacou quatro pilares: o mapeamento de territ\u00f3rios sagrados, a elabora\u00e7\u00e3o de genealogias matrilineares \u2014 reafirmando o papel central das mulheres na prote\u00e7\u00e3o dos bens comuns \u2014, a defini\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios pr\u00f3prios para interlocu\u00e7\u00e3o com agentes externos e a formula\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias coletivas de resist\u00eancia. Inspirado por esse modelo, o S\u00edtio \u00c1gatha busca adapt\u00e1-lo para garantir que mulheres negras rurais, historicamente marginalizadas, ocupem posi\u00e7\u00e3o central nos processos de licenciamento ambiental e na disputa por autodetermina\u00e7\u00e3o territorial.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>No debate de 10 de abril, o advogado e integrante do grupo de pesquisa Dom Quixote, <a href=\"https:\/\/periodicos.apps.uern.br\/index.php\/GEOTemas\/article\/view\/6858\/4783\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marciel Ant\u00f4nio de Sales (UFPB) <\/a>revelou como decretos de meados da d\u00e9cada de 1940 embasam a imposi\u00e7\u00e3o de servid\u00e3o administrativa sem consulta efetiva \u2014 instrumento que recai de forma desproporcional sobre pequenos propriet\u00e1rios negros e mulheres agricultoras. \u201c<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/aneel\/pt-br\/assuntos\/declaracao-de-utilidade-publica-dup\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Utilidade p\u00fablica<\/a> n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de justi\u00e7a social\u201d, criticou Sales, ao mostrar que mais de 20 a\u00e7\u00f5es judiciais em cinco meses fragmentaram comunidades do semi\u00e1rido paraibano e aprofundaram desigualdades raciais e de g\u00eanero.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>No encontro de 29 de abril, participaram as pesquisadoras <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.flacso.edu.mx\/torres-wong-marcela\/\" target=\"_blank\">Marcela Torres Wong (FLACSO<\/a>) do M\u00e9xico e <a href=\"https:\/\/www.escavador.com\/sobre\/3122407\/gislene-moreira-gomes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gislene Moreira G\u00f3mez (UEB)<\/a>. Segundo Torres Wong,<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.routledge.com\/Natural-Resources-Extraction-and-Indigenous-Rights-in-Latin-America-Exploring-the-Boundaries-of-Environmental-and-State-Corporate-Crime-in-B\/TorresWong\/p\/book\/9780367483630?srsltid=AfmBOorg0Pxas9_zWv5ppU_xklY7bDLrm6lYcFP5pnGzztorTrD9a8PG\" target=\"_blank\"> estudos de cooperativas no Istmo de Tehuantepec, no M\u00e9xico, apontam que apenas 28% da energia produzida beneficia as comunidades<\/a>; o restante sustenta grandes ind\u00fastrias e drena recursos locais. Por sua vez, Moreira G\u00f3mez desconstruiu a narrativa de \u201cenergia limpa\u201d e denunciou o ataque sistem\u00e1tico \u00e0 Caatinga \u2014 bioma de alta biodiversidade que tem sido tratado como deserto e dilacerado para erguer torres e\u00f3licas. No sert\u00e3o baiano, quilombolas e assentados relatam criminaliza\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as femininas negras que exigem transpar\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o dos projetos. 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Ao articular saberes ancestrais, estrat\u00e9gias jur\u00eddicas e alian\u00e7as latino-americanas, mulheres negras agricultoras e comunidades perif\u00e9ricas demonstram que outra transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 poss\u00edvel \u2014 uma que n\u00e3o se funde na expropria\u00e7\u00e3o, mas na justi\u00e7a, no cuidado e na soberania popular. 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